A decisão

Estamos grávidas! Depois de meses de conversas, de exames, de hormônios, mais hormônios, mais exames, mais conversas e muita ansiedade e paciência, há alguns dias tivemos a nossa confirmação: estamos grávidas!

Grávidas, no plural. Somos duas mulheres, casadas, que se amam muito e resolveram ir em busca da maternidade juntas. E, claro, com o enorme apoio da Ciência.

Quem escreve aqui é a Maíra. Tenho 33 anos, sou jornalista e vou gerar a filha que eu vou ter com a Inês, com quem estou junta há pouco mais de dois anos. Ela tem 42 e, quando escolhemos gerar um bebê, chegamos à conclusão de que eu, pela idade, seria mais indicada.

Eu sempre quis ter filhos. Desde pequena, guardo uma mala, com roupinhas minhas que gostaria de mostrar à minha filha. Essa vontade não diminuiu quando eu entendi que a Inês era a pessoa com quem eu gostaria de construir uma vida. Aliás, foi quando tudo se acertou.

A gente se conhece há muitos anos. Nossos pais são amigos antes mesmo da gente nascer e ela sempre esteve por perto, mesmo que, na maior parte do tempo, só na rede social. Mas sem saber de nada do que se passava com a outra. Até que, um dia, eu achei um post dela no Instagram tão legal, que resolvi roubar pra mim. A gente ficou conversando por hooooooras no direct, nos aproximamos e… hoje estamos aqui.

Foi uma paixão daquelas! Eu estava morando em São Paulo na época e, de repente, o meu endereço passou a ser a ponte aérea. Não estou exagerando: a gente não ficava nem duas noites sem dormir juntas, o que custou tempo, energia, paciência e, logicamente, dinheiro. Foi quase um ano vivendo assim, morrendo de saudade e de angústia, até que eu consegui transferência de volta e mudei pro Rio de novo pra gente morar junta. Casamos e não foi preciso muito para decidirmos que a gente era tão certa uma pra outra que queríamos dar um novo sentido pra essa união.

Não vou dizer que foi fácil. Nem o começo do relacionamento, com a família, nem a nossa opção de gerar um bebê na minha barriga, com o meu óvulo e o material genético de um outro ser humano que não conhecemos. No entanto, desde o começo do tratamento, a gente entendeu que tudo aquilo era nosso, meu e dela. Era o nosso tratamento, ainda que no meu corpo. Era o nosso bebê.

A Inês me surpreendeu, de tantas formas… Em determinado momento, apesar da vontade ter partido de mim, foi ela que passou a ser o lado da certeza. Foi ela que começou a me pegar pela mão e nos guiar nessa monta-russa frenética. Cá estamos!

2 respostas para ‘A decisão

  1. Meninas.
    Comecei a ler o primeiro post há aproximadamente 2 hrs. Não consegui parar até chegar aqui, no primeiro. Também vivi um amor de Ponte aérea. Curitba-Salvador. Também acho que o caminho pra termos um bebê, será a fertilização. Também vivo um amor que é uma doce parceria. Também temos um filho-dog.
    Meninas… Queria dizer que a história de vcs me tocou tanto, talvez por ser só mais um história de amor. Mas nesse mundo doido que vivemos, poucos se permitem e tem a chance de amar tão profundamente.
    Desejo profundamente que vocês 5 sejam ainda mais unidas, ainda mais felizes. Obrigada por compartilharem tanto amor. 😘

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