A fertilização (imprevisibilidade, mais uma vez)

Não vou sublimar a inquietação que eu tive aqui. Sim, nas semanas de tratamento, eu fiquei psicopata dos fóruns de gravidez. Todos os minutos, mulheres de vários lugares, idade e histórias se encontram para dividir suas angústias e trocar informações nos tópicos dos sites especializados. Elas falam de tudo, perguntam, se consolam, dão força. Não demorou para eu começar a procurar esse tipo de troca. Queria saber se elas tomaram a mesma quantidade de hormônio que eu, se deu certo, quantos óvulos tiraram, quantos embriões vingaram, se fizeram estudo morfológico, biópsia embrionária. Eu praticamente ficava com os sites abertos no meu telefone, acompanhando as atualizações.

Pra você que pensa em fazer tratamento ou já está vivendo essa etapa, eu sei que é quase impossível de controlar, mas, torno a dizer: é preciso ter em mente que cada caso tem sua especificidade. Não adianta ficar desesperada se leu que uma companheira de fórum não conseguiu ter óvulos, ou teve, mas não fertilizaram etc. Então, se você tem algum autocontrole (o que eu não tive), evite esses depoimentos. Eu, por exemplo, ficava querendo saber se, do número de óvulos que a pessoa tirou, quantos fertilizaram, quantos se desenvolveram, se depois ela engravidou. Como se fosse uma estatística pra poder adaptar aos meus resultados. Ah tá!

Eu já disse aqui que quis fazer o tratamento o quanto antes, para evitar eventuais sufocos, principalmente provocados pela idade, já que a nossa questão era a impossibilidade de gerarmos um filho de forma natural, por sermos duas mulheres. Eu não estava ali por alguma dificuldade, como infelizmente a maioria está.

Pois bem, eles tiraram dezenove – eu disse DEZENOVE – óvulos de mim. A Inês contou que ela foi parabenizada pela equipe, como se fosse, de fato, um grande feito. Fiquei feliz por isso, no entanto, sabia que não era tudo. Os óvulos poderiam ser muitos, mas não estarem bons.

E aí? Parece que os meus estavam… Dos dezenove, dezesseis foram fertilizados, o que é um número excelente. Aí é que tem uma decisão. Há duas opções, nesse caso. Deixar o embrião se desenvolver até o terceiro dia e implantar logo ou congelar, ou esperar para que as células se dividam a ponto de ele se tornar um blastocisto. Acontece que nem todos os embriões chegam a esse estágio no laboratório, então há quem opte por colocar logo ou mesmo congelar assim. Como nós tínhamos uma quantidade bem satisfatória e não queríamos fazer uma pausa, escolhemos pela busca dos blastocistos. Até porque, só assim eles poderiam passar pelo estudo genético, ou seja, a biópsia embrionária.

Agora é que vem o baque: dos dezesseis óvulos fertilizados, apenas sete chegaram a blastocisto. É, menos da metade. Uma seleção natural cruel, viu? E isso não quer dizer que esses embriões que ficaram pelo caminho não se desenvolveriam dentro do útero, se fossem depositados ali. Afinal, não há lugar mais adequado para eles do que o corpo. Porém, também não seria uma certeza. E não teríamos a possibilidade de “biopsiar”.

Esse estudo morfológico dos embriões, para que se desenvolvam – ou não – até blastocistos custa mais um (bom) dinheiro. Agora tínhamos sete embriões mais desenvolvidos. Resolvemos que todos seriam analisados. Outro valor considerável.

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