A novidade

Hoje uma amiga ligou. Uma amiga nossa em comum viu na rede social que estamos grávidas e contou pra ela. É uma querida, que eu conheço há alguns anos e, desde então, ela tenta engravidar, sem sucesso. Estava tão feliz pela gente… Eu disse o nome da nossa filha e ela se lembrou que eu sempre falava pra uma outra amiga nossa, que tem uma filha chamada Antonia, que esse seria o nome da minha. Isso tem tempo. Nunca iria imaginar que a Antonia viria do amor por uma outra mulher. Meu tudo!

Esperamos  o exame de translucência nucal para que espalhássemos a boa nova oficialmente.  Sei que há muitas reservas quanto à divulgação da gravidez antes das doze semanas. De fato, é quando existe mais chance de não dar certo. A Antonia daria certo, nunca tive dúvida. Porém, decidimos ir aos poucos. A família próxima soube logo no dia. E alguns amigos que estavam acompanhando de perto, torcendo junto.

Eu acredito muito em corrente de amor e de positividade e considero que eu e Inês conseguimos formar uma com pessoas que, arrisco dizer, são tão próximas ou mais que parentes sanguíneos. Embora eu não tivesse condições de encontrar ninguém, mesmo no fim de semana, era importante – continua sendo – pra gente receber suporte, e não necessariamente isso veio de toda a família, pelo menos nesse começo. Não é uma gravidez como outra qualquer e é muito válido que nós duas não sejamos apenas nós duas. Eu costumo dizer que é nessa hora que a gente percebe quem está junto e quem não está. Felizmente, temos tido muito sorte com as nossas escolhas.

As semanas passavam devagar. Cada diz era um a menos na contagem rumo às doze semanas, quando, finalmente, os hormônios externos seriam abolidos de vez. Enquanto isso, era ir ao trabalho, me distrair enquanto passava mal sem poder abrir pra todo mundo e voltar pra casa, pros cuidados da Inês, que sublimavam, pelo menos emocionalmente, os efeitos da minha situação. Não havia santo, remédio, comida que me fizessem melhorar. E não adiantava, ia ser assim até o fim do primeiro trimestre. Que calvário.

Nas dez semanas, fizemos um exame chamado NIPT – Non Invasing Prenatal Testing – ou Exame Pré-natal Não-invasivo. É um exame de sangue (carérrimo), colhido pela clínica onde fizemos a fertilização, e enviado para um laboratório nos Estados Unidos, que promete checar se o embrião, ou melhor, o feto, já que estávamos na décima semana, tem probabilidade de portar alguma síndrome. Ficava pronto em umas três semanas… A gente tinha feito a biopsia embrionária, que já dá uma segurança, só que não era uma garantia e a Inês fazia muita questão. Acabei fazendo questão também.

Nesse dia de colher sangue para o Nipt, também fizemos uma ultra, só para nos certificar de que estava tudo correndo de forma esperada. É uma praxe da clínica. Foi quando o médico que fez a maior parte das nossas ultras, mesmo antes do positivo – um fera, super experiente e que passou a ter uma relação mais estreita com a gente, de tanto que íamos lá -, disse que a gente não precisava se preocupar: a Antonia estava muito propensa a se desenvolver bem. Ela ia vingar!

Antonia. Ela já se chamava Antonia desde antes de ser colocada dentro de mim. No entanto, eu ainda não via a Antonia. Ainda não tinha uma ligação emocional intrínseca com a Antonia. Ela se desenvolvia da melhor forma por aqui e eu continuava me sentindo esquisita, fora todo o carrego da gravidez em si e dos hormônios. Me penitenciava por isso também. E seguia, estranhando estar tudo dando tão certo: os planos, o tratamento, o positivo, o bebê. Eu e a minha mania de achar que não sou merecedora. Vá-lá, tinha que ter uma cruz: não estava sendo fácil, não é mesmo?

Foi com quase onze semanas, depois da avaliação do nosso médico da Ultra e da minha intuição, que me deu conforto para falar mais abertamente sobre a gravidez, principalmente no trabalho. Isso também era novo e complexo, já que, quando a gente exterioriza, vira mais realidade ainda. A novidade foi festejada. Mas vocês não imaginam os absurdos que eu ouvi. Isso fica para o próximo post.

 

 

 

 

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