A reta final

Mais uma vez, os conselhos não se confirmaram. A reta final – a partir das 30 semanas – foi o melhor momento da gravidez. Sim, fui ficando bem mais pesada,  sim, dormir era cada vez pior e siiiiim o desconforto e as dores triplicaram. Deem uma olhada nos meus pés, pra constatarem alguns pontos nem um pouco legais.

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Mas quanto mais o tempo passava, mais vinha o mais poderoso sim: SIM SIM SIM, eu tinha conseguido aguentar uma gravidez.

A Antonia estava crescendo bastante e, lógico, minha barriga também. Isso tudo num verãozão que há muito não via aqui no Rio de Janeiro. Um calor infernal, que contribuía para a minha queda de pressão – um dos maiores efeitos colaterais que eu tive na gravidez. Tinha dia que despencava. Além de não conseguir sair de casa, cheguei a ter pequenos desmaios, olha o perigo!

Tá, só que esses eram reflexos físicos. O que realmente importava era a cabeça. Aquela sensação que eu tinha de que uma hora teria vontade de explodir com tanta privação estava diminuindo. A nossa filha ia nascer logo, logo!! Então, resolvi tentar curtir as semanas que restavam.

Consegui controlar bastante o peso. Ainda estranhava o corpo e suas mudanças. No entanto, saber que não tinha engordado muito também me deixou mais satisfeita. Admito, sou bem vaidosa! Então, passei a pegar sol e a exibir o barrigão em todos os momentos. Era hora de começar a sentir orgulho de mim, da minha mulher e da nossa escolha. Eu saía assim mesmo, e não estava nem aí.

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É claro que a ansiedade também crescia. O tempo custava a passar. Como sou bastante organizada – e planejada – já não havia mais tantos preparativos. Quarto pronto, enxoval feito, tudo lavado e arrumado. O que fazer para aplacar a morosidade cronológica?

Para começar, continuar trabalhando. Até porque, eu não tinha muita escolha, já que sou funcionária de uma empresa. E isso foi bom. Chegou um ponto que qualquer distração me fazia bem. Até que a gravidez ficou tão avançada e o calor era tão cruel, que achei melhor parar. Eu estava cansada também… Tinha dia que me arrastava…  Boa nova: eu havia guardado vinte dias para essa fase, para que não precisasse usar a licença. Então, com 37 semanas,  eu passei o crachá na catraca da empresa e me despedi, por ora, da vida profissional.

É isso! Estava em casa! Grávida por tempo integral. Inês trabalhando, todo mundo trabalhando. E eu ali, esperando o tempo passar. Eu ia enlouquecer, fato que ia enlouquecer. Cadê a concentração pra ler um livro? Ou a vontade de ficar na cama, seguindo os conselhos dos que diziam pra aproveitar pra dormir, já que depois seria impossível?

Tirando os períodos de férias, eu nunca tinha ficado sem trabalhar, desde 2004. Antes disso, uma existência inteira de estudos. Minha cabeça se acostumou a produzir sempre e muito! É, Maíra… Era hora a desacelerar. Pelo menos a mente. Socorro!

Exercício! Eu tinha estabelecido uma rotina de exercício desde o começo da gravidez. Com autorização da minha obstetra, decidi intensificar as atividades. Era uma forma de passar o tempo e também de ver gente, de garantir a boa forma e o principal: dar um gás pro parto. Ver se o bebê aqui se animava pra dar o ar da graça antes das 40 semanas.

Eu fazia de tudo: hidroginástica, yoga, pilates, andava de um lado pro outro, subia e descia escada. Tudo sempre com supervisão. Era uma forma também de ver gente e evitar a clausura da casa vazia, enquanto a Inês estava loooonge, dando conta das funções laborais dela e com a cabeça aqui.

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Paciência. Paciência. Paciência. A gravidez tinha me obrigado a cultivá-la, mesmo sem muito talento. Até porque, eu ia precisar lançar mão dela, mais do que nunca, nos últimos dias.

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